sábado, 29 de novembro de 2008

Sair do si

Separar-se de si é difícil. Nem sei por onde começar. O si consigo é profundo, sedimentado. Deslocá-lo, deslizá-lo exige um amplo movimento. Que as vezes eu acho que é mais interno que externo.

O problema é esse. Pensar que o separar-se de si se alcança com a separação do outro. É bizarro, mas muitas vezes é no convívio íntimo com alguém que você acaba se descobrindo – no espelho do outro. Acho que é por isso que pensamos que para mudar, re-acontecer, precisamos mudar as relações, mudar de cidade. Como se saindo da frente do espelho deixássemos de existir.

Mas essa separação de si depende de nós mesmos, sobretudo. Da relação que estabelecemos conosco. É disso que cansamos. E não é preciso morrer – espero – para mudar de si. Ou deixar de ser um si.

Talvez o momento do si não precise ser o do arrependimento, da culpa, da ressaca. Do olho que olha pra dentro fulminando. É desse si que eu quero me separar.

Um comentário:

Blunt disse...

É, maninho, só que aquilo que a gente reconhece como nós mesmos, ou descobre, é o que de fato somos. Então, o espelho não está mentindo. Então, as nossas relações são mesmo uma parte fundamental do que somos.
Por isso que mudar de cidade, de galera, de trabalho ou de família é sim um separar de si. É o mais concreto e real separar de si. A menos que essa separação não seja o que a gente procura de verdade.