segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vagando pelos debris da minha vida digital, tropecei nessa pequena tentativa de alguma coisa coletiva. Se fosse em outra época provavelmente isso estaria no fundo de uma caixa de sapato e eu iria encontrar essa pequena troca quase sem nexo durante uma mudança, uma busca por um documento perdido, uma morte, uma falta de espaço numa pequena casa. Mas ela esteve sempre aqui, a uns poucos cliques de mim, todo dia que eu entrei no meu computador, que foram todos os aproximadamente 1800 dias que se passaram entre a última postagem e essa.
Será que vocês serão avisados que eu postei algo? Não vou avisar ninguém de nada, assim tem mais graça, vocês podem ou não tropeçarem nisso também quem sabe algum dia.
Há exatas duas semanas o Jonas se casou. O tema desse blog era "quero me separar de mim mesmo".
Separei-me de mim mesmo para ver meus amigos se casando. 

domingo, 1 de março de 2009

Continuando

Elle songe à Buenos Aires; peut-être Buenos Aires oú personne ne la connaît. Peut-être à Buenos Aires. Mais sa raison dit qu'on emporte son être soi et que la peur étouffera partout son bonheur.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Janeiro, que tema

Janeiro, Janeiro.

Não compareci ao reveillon revolucionário do blunt, fugi à luta com os amigos em pleno Rio de Janeiro, para tentar vencer uma pequena batalha pessoal entre o Rio da Prata e os Andes. Levado pelo que eu disse ser uma chave de boceta, mas muito mais que isso, fugi da batalha do Rio para tentar socorrer o que sempre é mais precioso no balanço final de um ano que se termina: as grandes relações.
Nesse caso uma grande relação que me acompanhou em meu precário e divertido estabelecimento na cidade de São Paulo desde o começo de 2007 e que via escorregar, deslisar, cair abismo abaixo sem eu conseguir segurar. A viagem de ano novo foi mais nostálgica do que revolucionária, foi mais bela do que surpreendente e por aí vai.
E apesar de fugir da revolução com os amigos no Rio, janeiro vai terminando dizendo que o ano será de amigos, anunciando que a batalha dos pampas foi divertida, mas foi em vão.
Parece até que poderei colaborar diretamente com o Jonas na frança. Será?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

na(f)talina

E o tão esperado blog.... não decolou. Pode não ser definitivo e dá para entender que é difícil começar um projeto novo em dezembro. Mas ainda assim é uma pena.
Em uma semana começa 2009. E na virada não haverá a grande reunião que chegou a ser anunciada. Ainda assim, estarão juntos alguns bravos. Justamente aqueles (exceto por mim) para quem o próximo ano traz grandes marcos. Um casa e outro muda de país.
O Natal chuvoso vai passando e as horas se arrastam na semana da purificação. É importante aproveitar para refletir. Na virada de 2007 para 2008, isso fez toda a diferença. Aliás, sempre fez. Que faça mais uma vez, e sempre.
Esqueçam o velho! Quebrem o velho! Preparem o novo e me tragam quando estiver no ponto. Dia 31, quando escurecer.

sábado, 13 de dezembro de 2008

timidamente dezembro

O ano novo continua sendo a data mais legal, mais cheia de significado e mais comemorada. Quando chega essa época, em dezembro, normalmente eu oscilo entre momentos de euforia e de ligeira depressão. Acho que deve seguir a mesma lógica do inferno astral.

Começo a sair dos esboços e fazer balanços mais consistentes do ano que vai se acabando. Pra cá os balanços só vem depois de serem ditos pros brothers no esperado encuentro de ano novo.

Isso porque a importância do ano novo está em reafirmar convicções e tomar posição sobre as questões importantes. Precisa, portanto, de uma reflexão em conjunto com ação. Prática revolucionária para fazer mudar o mundo. E a vida de cada um.

O ano novo é um momento revolucionário. Enquanto isso, dezembro vai passando, entre trabalhos que precisam acabar, confraternizações, chuvas, começo de férias e papais noéis, tudo pra fingir que não é nada muito importante o que está pra acontecer.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Camaleões

Cansei de ser verde, fiquei rajado, amarelo e vermelho
Saí para a pista e com a nova pele, carquei cinco
Enquanto carcava me pediram para ficar hora roxo, hora azul celestial
Mudei e elas me mandaram mensagens de texto
Perdi meu me, isso em mim, ouvindo-as sussurarem
Derrepente, mais uma vez vi que elas queriam mudar minhas cores novamente
Com seus controles remotos do olhar
Olhar de meninas, hipnólogas milenares
Eita! retornei às cores, voltei, fiquei amarelo e vermelho outra vez
Defendendo cores que eu quis e que nem sei se quero mais
Cansei e voltei ao verde, peguei um livro e ignorei as mensagens

sábado, 29 de novembro de 2008

Sair do si

Separar-se de si é difícil. Nem sei por onde começar. O si consigo é profundo, sedimentado. Deslocá-lo, deslizá-lo exige um amplo movimento. Que as vezes eu acho que é mais interno que externo.

O problema é esse. Pensar que o separar-se de si se alcança com a separação do outro. É bizarro, mas muitas vezes é no convívio íntimo com alguém que você acaba se descobrindo – no espelho do outro. Acho que é por isso que pensamos que para mudar, re-acontecer, precisamos mudar as relações, mudar de cidade. Como se saindo da frente do espelho deixássemos de existir.

Mas essa separação de si depende de nós mesmos, sobretudo. Da relação que estabelecemos conosco. É disso que cansamos. E não é preciso morrer – espero – para mudar de si. Ou deixar de ser um si.

Talvez o momento do si não precise ser o do arrependimento, da culpa, da ressaca. Do olho que olha pra dentro fulminando. É desse si que eu quero me separar.